Em clima de sofrência de fim de noite, sob um espectro de luzes neons e tons vibrantes, o novo clipe do cantor Rodrigo Ciampi discorre sobre uma história de amor e traição entre um casal LGBT.

É notório que este trabalho caminha de antemão aos esteriótipos de gênero e apresenta um olhar plural acerca do que se atribui à identidade de gênero e sexualidade. Em paralelo, expõe um ponto sensível acerca das relações amorosas como um lugar incerto, indefeso, suscetível a mágoas e desenganos. “Canalha” tem como objetivo retratar as diferentes formas de afeto no meio LGBT, discorrendo de forma poética sobre a evidente necessidade do artista em falar sobre machismo e de como a dificuldade na troca de afeto gera mecanismos de violência sutis e extremos. Embora parta de um incomodo pessoal e carregue traços autobiográficos do artista, a obra busca atingir um grupo social maior, por meio de imagens que funcionam como vetores para situações vividas e exercidas em um amplo espectro social.

Através de uma sonoridade latino brasileira bem acentuada por influências de ritmos nordestinos, o artista mistura elementos de brega e sofrência para construir uma faixa dançante e forte, mas também rica em nuances e dinâmica musical. Depois do álbum “Girada”, lançado no ano passado, Rodrigo sustenta suas referências da música regional agora sob uma roupagem popular e moderna.

O single é o primeiro de um compilado de faixas que formarão o novo álbum de Ciampi, cujo lançamento está previsto para o verão de 2020. “Canalha” tem a produção musical de Marina Decourt, que também assina o projeto como arranjadora e instrumentista.

A direção do novo clipe é de Leonil Júnior, em parceria com Monolito Produções. A direção de arte é de Nahara Monteiro com fotos de Maíra Erlich.

 

Sobre o artista

Cantor e compositor natural de São Paulo, Rodrigo Ciampi teve seu primeiro contato com a música ainda na infância, imbuído pelos toques de atabaques e pontos cantados que ouvia nos fundos do quintal da casa de seus avós, onde se praticava o culto à Jurema, tradição que remonta aos povos indígenas e comunidades tradicionais do nordeste brasileiro. Mais tarde, Ciampi perceberia essas referências sonoras como base para sustentação de sua musicalidade.

Aos quinze anos, Ciampi despertou seus estudos para o Canto Popular, tendo ingressado na Escola Técnica de Artes de São Paulo. Entre 2015 e 2017, foi traçando uma identidade pautada no emponderamento LGBT, realizando apresentações e performances em diversos espaços de acolhimento e resistência cultural, tais como: Museu da Diversidade Sexual, Centro de Cidadania LGBT, Casa 1, TranSarau, Festival Manas e Monas, etc.

Essas experiências instigaram a produção de seu primeiro álbum, intitulado “Girada”, lançado em 2018 pelo selo YBMusic. O álbum teve sua estreia realizada no Sesc Belenzinho e na Mostra “Corpos Múltiplos” no Sesc São José dos Campos, também integrou a Mostra Audiovisual “A Zona Leste é o Centro” no Sesc Itaquera com o videoclipe da faixa “Corpo”. No mesmo ano, Ciampi foi finalista do Festival Internacional Imagine Brazil.

Atualmente, o artista está planejando sua primeira turnê e em processo de gestação do seu novo disco, com previsão de lançamento para 2020.

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