Vivemos em uma época em que grupos sociais não hegemônicos dificilmente ganham voz. Essa realidade
reverbera na nossa sociedade que, por sua vez, possui uma estrutura que impede esses grupos não hegemônicos de terem os mesmos direitos e oportunidades que grupos que seguem o normativo.

Tendo como exemplo, LGBTs que passam por processos de silenciamento e exclusão social. Isso se concretiza quando 73% da comunidade afirma já ter sofrido agressões dentro das escolas. Fatores como esse contribuem para desigualdade e descompasso da comunidade LGBTQ+ em relação ao restante da sociedade, fazendo-se mais do que necessário a existência de um espaço como a Casa1.

 

Um local de Multiculturas e Multivivências

O desserviço das instituições de ensino para com a população LGBT e para tantas outras comunidades é notável. Não há apoio profissional para que professores e alunos possam lidar com aquilo que é considerado diferente, quiçá conceber uma construção coletiva em sala de aula, que atenda pluralidade humana.

A Casa1 atua na contramão desse retrato institucional, pois é construída coletivamente, com respeito ao indivíduo e diálogo intenso entre moradores e voluntários da casa, como relata Giusti. Embora estar em uma sociedade justa para todos seja uma utopia para muitos, na Casa1 é possível visualizar uma configuração mais igualitária e receptiva a essa realidade.

Com uma agenda de atendimento público – 12h por dia, de de segunda à segunda, os espaços da Casa1 são preenchidos por diferentes públicos e pensamentos – fomentando o diálogo e troca entre todos. Mas, a casa não se responsabiliza por esse processo, mas sim por apresentar um local seguro para que esses diálogos tomem forma. É primordial que empresas e outros espaços de resistência estejam cada vez mais abertos a receber a diversidade, para tal é necessário respeito, educação e entendimento.

 

 

 

Iran Giusti conta que a Casa1 um possui dois espaços com funções colaborativas entre si. Além de exercer a função de abrigo, a casa também conta com o Galpão Casa1, onde são disponibilizados diversos cursos, oficinas, eventos e shows, criando acordos tácitos entre público e moradores da casa. Este cenário vem da política de portas abertas da Casa1, que permite esse espaço de diálogo das questões LGBTs e outras paralelas. O respeito também é o princípio fundamental do projeto: até Caetano, o cachorro adotado pela casa, é respeitado – Aí de quem tentar tirá-lo do sofá.

Pela visibilidade que a Casa alcançou, Iran destaca que parcerias como a Pepsi tornam-se fundamentais para o desenvolvimento do projeto, de levantamento de questões sociais, capacitação e oportunização de vagas para pessoas trans no mercado de trabalho.

Mesmo existindo outros locais de atendimento ao público, o projeto Casa1 já era uma demanda da comunidade LGBTQ+, pois representa um espaço que acolhe pessoas e exorta a diversidade sexual e de gênero, o seu viés multicultural é uma consequência orgânica.

A Casa1 fica localizada na Rua Condessa de São Joaquim, 277. O Galpão Casa1 fica na Rua Adorian. Ambos abertos todos os dias das 10h às 22h.

 

texto Muryel Euzébio
fotos Bernardo Enoch
colagem Giovana Macedo